sexta-feira, 29 de julho de 2011

Não Sofrer é Patológico

"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo" ( João 16:33b). É interessante quando lemos esse versículo, pois Cristo já nos avisava de que os sofrimentos são parte da nossa vida aqui na terra. Ele mesmo, enquanto viveu como homem, passou por momentos difíceis como angústias, rejeição, perseguição e, posso dizer até medo. Antes de morrer, Jesus teve medo da cruz, sua tensão foi tanta que chegou a suar sangue! E fico achando engraçado como resistimos a dor e como isso é um sintoma da nossa cultura hedonista. Hoje, sofrer é quase sinônimo de incapacidade, imaturidade, fracasso entre outros adjetivos pejorativos. Nos é ensinado desde muito cedo de que precisamos buscar a felicidade, que esta deve ser a nossa meta mais importante. Pena, que não é ensinado que no caminho pela busca da "felicidade" (e afinal o que é essa tal felicidade?), existem e sempre existirão momentos de dor e sofrimento (físico, psíquico e espiritual). E hoje, com tantas possibilidades e oportunidades, com o Brasil em plena ascensão econômica, se você não é feliz a culpa é sua. O que não falta é financiamento para ajudar a realizar nossos sonhos, seja ele qual for (casa, carro, educação, etc). Mas, esquecem que o ser humano não é feito das coisas que pode adquirir. A essência do ser está dentro, não no que ele tem, mas em QUEM ele é. Daí a coisa fica complicada... Não há como tamponar o ser, por mais que sejam oferecidos zilhões de possibilidades, uma hora todo mundo deita a cabeça no travesseiro e se pergunta: quem sou eu? por que nasci? da onde eu vim? para onde eu vou? Perguntas existenciais que incomodam e martelam os nossos pensamentos. Somos construídos a partir dos nossos relacionamentos (consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo) e isso é tão complexo que é impossível não sofrer. Ainda mais, porque precisamos buscar sentido para aquelas quatro perguntinhas acima e ainda nos conectar e entender o outro e, o papel deste outro na nossa compreensão de mundo... Lembrando que o outro também está em torno de suas próprias questões existenciais. Ufa! Nada fácil, nada prático, nada muito simples de se fazer. E mesmo assim, na sociedade atual, ainda é disseminado a ideia de que se você tiver o carro do ano, o celular de última geração, milhões de seguidores no twitter e mil amigos no face, pronto, você é O cara e seus problemas estão todos resolvidos! Quem dera... O que é complexo, não podemos simplificar... O sofrimento é parte de todo esse processo de dar sentido à nossa vida, porque não há crescimento, amadurecimento e descoberta sem dor. Não há como nos relacionarmos com o outro sem sofrer e ver o outro sofrer. Inclusive, essa última observação é algo interessante. Como nos é insuportável o sofrimento do outro, justamente porque ele aponta o nosso próprio sofrimento. Quando vemos alguém chorar, logo queremos dizer: "não chora, esquece isso, deixa pra lá!" E, quando nos deparamos com a nossa dor, queremos logo tomar um antidepressivo, um analgésico, fazer qualquer coisa pra mascarar a situação, negar, nos alienar e fingir que tudo está bem...Talvez seja mais fácil, mas com certeza não é o mais saudável. O não sofrer é patológico, é "anormal", é impossível. Quando mascaramos ou fugimos do sofrimento, adoecemos... O "vale da sombra da morte" é um caminho que teremos que percorrer, ele é parte do nosso processo de vida. Não há como viver sem passar por isso. O mais importante é termos a fé, a convicção de que tudo passa e que Ele venceu o mundo!

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