Qual é o problema das redes sociais?
Qual o problema em nos relacionarmos com as pessoas através do virtual?
Tenho refletido muito sobre o mundo
virtual e suas consequências na minha rotina e na minha vida pessoal. Isso
gerou-me um incômodo e resolvi repensar o uso que tenho feito delas.
A grande verdade é que estamos vivendo a
era do mundo virtual... Grande parte do nosso dia, ou todo o nosso dia,
investimos tempo, energia e raciocínio em prol das nossas redes sociais.
Atualmente, nossa maior fonte de informação e entretenimento vem das redes
sociais e da internet. Nossa maior fonte de “socialização” são as redes
sociais. Priorizamos e valorizamos muito mais um post, do que a vivência real do
momento postado. Queremos ver quantas curtidas e quais comentários serão
colocados sobre o que acabei de postar, seja uma foto, uma reflexão, etc.
Falo
isso, a partir de mim. Não quero e nem estou aqui para julgar o porquê e como
as pessoas estão usando as redes sociais. Compartilho um questionamento
pessoal, que pode ir ao encontro de suas questões, ou não.
O fato é que somos pessoas com uma
grande demanda de amor. Nossas crenças estão, quase sempre, fundamentadas na
ideia de sermos amados e aceitos. Isso é natural, pois somos seres relacionais;
fomos criados para nos relacionar. Todas as nossas habilidades adquiridas no
decorrer da nossa existência, são para refinar e melhorar a qualidade dos
nossos relacionamentos. Sempre digo que relacionamento é uma chave para a qualidade
de vida. A forma como nos relacionamos conosco e com as pessoas diz da nossa
saúde integral.
O que percebo é que, nos dias atuais, nossos
relacionamentos estão cada vez mais frágeis e empobrecidos. Creio que consequência
de uma crise na família, lugar onde iniciamos nossa vida relacional. É nesse
lugar que aprendemos os princípios mais elementares da nossa existência. Tenho refletido a importância de como os pais vivem com seus
filhos. Não estou dizendo daquilo que é formal, dito e esperado. Estou falando,
justamente, do que não é dito com palavras, mas expresso através de gestos e olhares.
O não dito é carregado de afeto, e este, afetará nossa forma de estabelecer
conexões durante toda a nossa vida.
É a busca de olhares que mais nos
impulsiona a tamanho investimento nas redes sociais. Queremos ser vistos, reconhecidos
como pessoas de valor e beleza. Quando digo beleza, não quero limitar à beleza
física, até mesmo porque ela é relativa. Estou dizendo daquilo que nos torna
desejáveis e pessoas dignas de serem amadas e aceitas. No fim, queremos aquele
colo de mãe que diz: vem aqui meu filho, eu te amo como você é. Do abraço do
pai que (re)conhece as nossas qualidades e nosso esforço. Será que tem faltado,
nas famílias, esse lugar de acolhimento, esse lugar onde ama-se a pessoa e não
o que ela faz? Acredito que sim, pois a família tem absorvido e respondido às
demandas de um sistema hiperativo, onde você é reconhecido pelo que faz. Desde
cedo, já pensamos em uma escola que irá preparar melhor o filho para o mundo
competitivo. Onde ele receberá as melhores ferramentas para fazer/ ser o
melhor. Até a pergunta “o que você quer SER quando crescer?”, vem carregada de
expectativas relacionadas ao fazer e quanto vai ganhar por isso. O ser é
desconhecido. O que é ser? O que é essência? O que é essencial para o humano?
Perguntas cujas respostas se perderam, valores que não são ensinados/
valorizados. Amar, abraçar, perdoar e pedir perdão, respeitar seus limites e
dos outros, contemplar a criação, escutar, olhar, rir e chorar.
O mundo virtual tem refletido a busca
por esse lugar onde possamos ser, porém, está cheio de pessoas que aprenderam apenas
a fazer e gerar um resultado. Por isso precisa ter a melhor foto, a melhor
frase... Uma construção pensada para sermos aceitos e amados. Quantas curtidas
eu mereço? A meritocracia permeia nossas relações o tempo todo.
É necessário um movimento de retorno,
recolhimento. Precisamos aprender a olhar aquele que está na minha casa, na
minha sala, no meu escritório. Levantar o olhar e abrir os ouvidos para a
pessoa real. Precisamos de espelhos para resgatarmos nossa essência.
Desconstruir para construir relacionamentos reais e verdadeiros. Precisamos
aprender que amar e aceitar são ações que não dependem de merecimento. São
ações de Graça!
O problema não é a ferramenta, não é o
advento das redes sociais. O problema está nos corações, nas mentes que usam
equivocadamente essas redes sociais. É buscar em uma fonte seca, água para
matar a sede.

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